Governo do Estado do Espírito Santo

Saiba mais sobre febre aftosa

O que é?

A febre aftosa é uma doença de notificação obrigatória, conforme o Código Sanitário para Animais Terrestres, da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e a Instrução Normativa nº 50/2013, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A doença é causada por um vírus altamente contagioso, com impacto econômico significativo, acometendo principalmente os animais de produção como bovinos, suínos, caprinos, ovinos e outros animais, em especial os de cascos bipartidos (cascos fendidos). A doença é raramente fatal em animais adultos, mas pode causar mortalidade entre os animais jovens.

 

Transmissão

Segundo a OMSA, a gravidade da enfermidade está relacionada à facilidade com que o vírus pode se disseminar.

O vírus é encontrado em todas as secreções e excreções e pode ser transmitido pelas vias direta (contato entre animais infectados, aerossóis, secreções e excreções, sangue e sêmen) ou indireta (água, alimentos, fômites, trânsito de pessoas, equipamentos, materiais, veículos, vestuários e produtos de origem animal contaminados), entrando no organismo por inalação, ingestão ou abrasão de pele ou mucosas.

O vírus é sensível à luz solar, pH ácido e alcalino e temperaturas elevadas, podendo sobreviver no ambiente por vários meses, principalmente em baixas temperaturas, na presença de matéria orgânica e na ausência de luz solar. Pode permanecer viável de 2 a 3 meses nas fezes dos animais e persistir por 24 a 48 horas no trato respiratório humano.

A espécie bovina é a mais susceptível à infecção pela via respiratória, sendo a mais importante na manutenção do ciclo epidemiológico da doença na América do Sul. Os suínos são mais susceptíveis ao vírus pela via oral, especialmente pela ingestão de produtos de origem animal contaminados (carne, leite, ossos, queijo e outros). Os bovinos geralmente são os primeiros a manifestarem os sinais clínicos e os suínos são considerados hospedeiros amplificadores por eliminarem grandes quantidades de vírus.

A única espécie persistentemente infectada em que a transmissão do vírus foi demonstrada é o búfalo africano (Syncerus caffer), porém a transmissão dessa espécie para o bovino doméstico é rara.

Período de incubação: o período de incubação pode variar de acordo com a espécie animal, a dose infectante, a cepa viral e a via de infecção. Em bovinos varia de 2 a 14 dias; em ovinos de 2 a 8 dias e em suínos geralmente a partir de 2 dias.

Sinais clínicos

Os sinais clínicos clássicos são vesículas no focinho, língua, boca, cavidade oral, cascos e tetos. Outros sinais frequentes são: febre, depressão, perda de apetite, perda de peso, queda na produção.

Em bovinos, os principais sinais são: vesículas ou suas formas de evolução (íntegras ou rompidas, bolhas, úlceras, cicatrizes) nas mucosas oral (gengivas, pulvino dental, palato, língua) e nasal, focinho, banda coronária, espaço interdigital e glândula mamária. Febre alta, anorexia, enfraquecimento, sialorreia, descarga nasal, claudicação e prostração. Diminuição na produção de leite, malformações de casco, claudicação crônica, mastite, perda de peso. Em animais jovens, pode causar mortalidade devido à miocardite. A maioria dos adultos se recupera em 2 a 3 semanas, porém, as infecções secundárias podem retardar a recuperação.

Em ovinos e caprinos a doença cursa com sinais leves.

Os suínos geralmente desenvolvem lesões podais severas, levando a descolamento de cascos e dificuldade de locomoção. Lesões de boca são menores e menos aparentes, raramente há salivação. Pode haver vesículas em focinho e úbere. Em geral, a temperatura é próxima do normal. Leitões jovens podem morrer devido a falha cardíaca.

Por se tratar de uma doença de doença de notificação obrigatória pela OMSA, qualquer sinal clínico de doença vesicular deve ser imediatamente notificado ao Serviço Veterinário Oficial.

As notificações podem ser feitas nas gerências locais do Idaf, pelo e-mail notifica.animal@idaf.es.gov.br ou diretamente pela internet por meio do e-Sisbravet: https://sisbravet.agro.gov.br/notificacao/publica/registrar.

As características e a evolução das lesões compatíveis com febre aftosa podem ser verificadas no guia “Coletânea de imagens”, do site do Mapa, disponível em:

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/febre-aftosa/coletaneadeimagens.pdf

 

Diagnósticos diferenciais

Doenças vesiculares clássicas clinicamente indistinguíveis que exigem diagnóstico laboratorial para descartar a febre aftosa: estomatite vesicular, infecção por Senecavírus A (suínos), exantema vesicular dos suínos e doença vesicular dos suínos (as duas últimas exóticas no país). Suspeitas dessas doenças devem ser tratadas sempre como suspeita de doença vesicular, notificadas ao SVO e investigadas para descartar febre aftosa.

Doenças como varíola bovina, estomatite papular, pseudovaríola ou agravos não infecciosos, como intoxicações, traumatismos e outras, apesar de apresentarem sinais ou lesões de outros tipos (pápulas, pústulas, ulcerações etc.), podem, eventualmente, apresentar quadro confundível com doenças vesiculares clássicas. Apenas quando for impossível distingui-las clinicamente é que devem ser investigadas como doenças vesiculares.

 

Para mais informações sobre a doença, acesse os links abaixo:

Ficha técnica da febre aftosa

Página da febre aftosa no site da OMSA (site em espanhol)

Página do Ministério da Agricultura e Pecuária

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